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O que aprender e como potencializar o trabalho de lideranças comunitárias



Viver é descobrir coisas novas todos os dias, é estar em constante aprendizado! E para nós, que nos colocamos em um lugar de te ajudar nesse processo de aprender, estar atento ao que o mundo tem a nos ensinar é extremamente necessário e importante. Em 2021, descobrimos que existe um dia destinado aos Líderes Comunitários e isso nos abriu os olhos para a necessidade de falar mais sobre essas pessoas que são essenciais dentro da comunidade e no trabalho que é executado em lugares que estão em situação de vulnerabilidade social.


Por isso, semana passada nos dedicamos a dar mais espaço para alguns líderes sociais que conhecemos e trouxemos eles para frente das câmeras. No dia 5 de maio, Dia do Líder Comunitário, fizemos uma live com o Jack, líder do bairro Aclimação, e levamos Dona Cida, do Assentamento Santa Clara, para uma entrevista na TV, ambos da cidade de Uberlândia.


“Se tornar uma pessoa referência dentro de uma comunidade é um processo. É natural. A gente não escolhe, não monta chapa eleitoral. Nosso trabalho e o que nós entregamos para os moradores é que nos coloca nesse lugar. A verdade é que representar pessoas é um privilégio sem tamanho, assim como uma responsabilidade gigantesca também”, afirma Jack.


Os pré-requisitos para ocupar esse lugar parecem básicos, mas são extremamente desafiadores. Colocar a necessidade do outro em primeiro lugar, ser ponte entre o que a comunidade e seus moradores precisam e o que os outros têm para oferecer, não ter preguiça de ajudar, falar por aqueles que não têm voz, defender os direitos básicos e estar disposto a acolher sem julgar.


“O mais desafiador dentro do nosso trabalho é romper com as barreiras que os outros colocam para nos ajudar, porque a verdade é que a gente não tira tudo dos nossos bolsos, das nossas casas. A gente é criador de oportunidades. As pessoas querem ajudar, mas não sabem como e eu sou esse como. Mas, até para ajudar, existem preconceitos que precisam ser superados”, comentou Jack.


Não esperar nada em troca, doar sem questionar o que será feito com a doação, não escolher para quem a doação será destinada e entender que as diferenças de crenças religiosas não impactam no resultado da ação são os maiores desafios. “Não foi uma ou duas vezes que perdemos ajudas porque trabalhamos com pessoas com dependência química ou em situação de rua. Já vi gente desistir de doações porque iria para instituições religiosas diferentes da religião de quem doava. É triste, mas é verdade. Ainda existem pessoas que julgam e condenam aquilo que é diferente”, completa ele.


Já no Assentamento Santa Clara, Dona Cida, uma senhora de um pouco mais de um metro e meio, fisicamente cansada e com marcas que deixam claro o quanto a vida foi sofrida e cheia de trabalho pesado, é de longe a pessoa mais respeitada dentro daquele lugar. Além de todas as atividades e ajudas que sempre fez para as mais de 600 famílias que estão ali, naquelas ruas de terra batida, ela coordena a cozinha comunitária do assentamento e ainda é elo fundamental na relação entre os projetos sociais desenvolvidos.


“Minha vida é isso aqui, é ser chamada na rua e receber pedidos de ajuda todos os dias. É conhecer todo mundo pelo nome, escutar suas histórias e entender como posso ajudar além da comida. Meu trabalho é construir para eles oportunidades de melhoria de vida, mostrar o quanto os projetos sociais são importantes e chances reais de transformação para todos”, diz com muita convicção Dona Cida.


“São eles, os líderes comunitários, que fazem o trabalho de levar a mudança para dentro de lugares onde nem o básico chega. A facilidade com que essas pessoas se destacam e criam credibilidade com quem está a sua volta é natural e muito característica deles. O nosso trabalho enquanto Partilha, é sempre potencializar o que eles já são e fazem com tanta maestria, somos parceiros que ajudam a aprimorar os processos e as compartilhamos boas práticas. Mas, temos muita certeza que a maior ferramenta de um bom líder é ele mesmo e que temos sempre muito a aprender com cada um!”, acredita Carol, nossa diretora. Quer saber mais sobre o trabalho desses líderes? Casa Santa Gemma

Acolhimento de pessoas em situação de rua e sede do trabalho de pastoral de rua da diocese de Uberlândia. Mais de 20 anos acolhendo e criando oportunidades de mudança de vida para aqueles que só precisam de apoio para recomeçarem suas histórias.

Rua: José Flôres, 351 - Aclimação, Uberlândia - MG Como ajudar: roupas (para bazar e acolhidos), alimentos, móveis, produtos de higiene e limpeza, sapatos e doação em dinheiro. Contato: @casasantagemma (instagram ou facebook) - 34 99971-7810 (Jack)



Assentamento Santa Clara

Cozinha comunitária que fornece refeições para os moradores do assentamento.

Complexo Integração, Uberlândia - MG (Zona Leste)

Como ajudar: alimentos, móveis, produtos de higiene e limpeza e doação em dinheiro.

Contato: 34 99767-7945 (Dona Cida)


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